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Você não falha a dieta. Ela foi feita pra falhar.

Minha primeira dieta foi aos 16 anos, embora eu sempre soubesse que em algum momento, como toda mulher que eu via, precisaria começar a me preocupar mais com os quilinhos extras. "Quando você for adulta, precisará começar a restringir a alimentação, se não ficará gorda que nem nós", eles diziam. E aos 16 anos a profecia parecia então se cumprir. A puberdade havia chegado, e com ela quilinhos extras - era chegada a hora de fechar a boca.

Com a primeira dieta surgiram várias outras, intercaladas por períodos de comer excessivo. Lembro ainda da primeira dieta, em que eu resolvi que não comeria mais brigadeiro de panela durante a semana. Sim, era uma dieta aparentemente simples, mas que na prática resultava em um segunda a sexta sem doce e sábado e domingo com algumas latas de leite condensado vazias no lixo. Nossa, como era frustrante. Por que eu não conseguia ter força de vontade?

Com o tempo, comer passou a ser cada vez mais complicado. Antes eu achava que ser saudável era ter mais verduras e frutas na alimentação. Com o tempo, a alimentação saudável começou a ser ração humana, alimentos sem lactose, pão sem glúten, vida sem pizza, saídas com amigos sem cachorro quente, termogênicos e cada vez menos comida. Quanto menos eu comesse, melhor, eu pensava. Porém, quanto mais restritivas eram minhas dietas, maiores eram meus períodos de exagero nos finais de semana - e cada vez mais também no meio da semana. Um mísero brigadeiro pós almoço começou a ser, cada vez mais, uma fonte de sofrimento pra mim.

A profecia havia se cumprido, e agora eu fazia parte do time da luta contra a balança, do resistir às tentações, do efeito sanfona. Mas, bem, que mulher não vive isso? Faz parte de ser mulher, certo?

Foram alguns anos de uma relação péssima com a comida e, inclusive, transtorno alimentar, até que eu finalmente, em meus estudos, encontrasse a luz no fim do túnel: não era eu que fracassava a dieta, mas ela que havia sido feita para fracassar. Eu descobri que as dietas:

☝ Fazem uma bagunça no seu metabolismo (causam estresse no organismo, diminuem seu metabolismo e aumentam sua fome e seu desejo por carboidratos).

☝ Fazem com que você crie pensamentos obsessivos por comida (só pense em comida o dia todo!) e desenvolva um péssimo relacionamento com a comida, e aumentam em MUITO as chances do desenvolvimento de compulsões alimentares e transtornos alimentares.

☝ Não consideram as várias funções que o alimento tem em nossas vidas (função social, função cultural, função afetiva), e por isso elas podem não se encaixar nas reuniões com amigos, nas celebrações ou naqueles almoços de família, prejudicando sua vida social.

☝ A longo prazo, fazem com que você entre naquele famoso efeito sanfona. Na verdade, estudos demonstram que o fazer dietas (restrição/proibição alimentar) é um grande premeditor de ganho de peso! Ou seja, as dietas promovem o ganho de peso!

Parar de fazer dietas e fazer as pazes com a comida foi essencial para que eu voltasse a ter um relacionamento totalmente normal com a comida. E é essa minha proposta como nutricionista: reaprender a comer com tranquilidade, respeitando os sinais do corpo (fome/saciedade) e de bem com seu prato. Sim, isso não só é possível, como todo mundo merece.

E, em comemoração ao Dia Internacional sem Dietas (6 de maio), venho lhe fazer um convite para olhar para sua vida e avaliar se as dietas têm funcionado. Quantas dietas você já fez? Em quantas delas você perdeu o peso, mas não o reganhou? Será que elas são realmente válidas? Ou estão custando também sua paz com a comida?

Se você também se identifica com essa luta contra a balança e essa vida de dietas, saiba que não é preciso viver assim. O ser humano nasceu sabendo se alimentar, e é possível reaprender a comer em paz e com respeito ao corpo, sem precisar se privar de alimentos. Uma alimentação saudável é aquela que tem de tudo, feita com alegria e satisfação, nutrindo o corpo e satisfazendo a alma. Se você sente que a comida é algo muito difícil em sua vida, procure ajuda de um nutricionista especializado ou psicógo. Eu te garanto: vale muito a pena, e você merece a liberdade de se viver em paz com a comida. E se você é de São José dos Campos e tem interesse em um trabalho diferente dentro da Nutrição, envie um email para mim (nathaliapetrynutricionista@gmail.com) até sexta-feira, dia 11 de maio. Estou com um projeto muito bacana para que, em grupo, você possa rever e transformar sua relação com a comida! :)

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