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Você é proativo na sua alimentação?


Nesta semana, andei lendo relatos de mulheres que tiveram também experiências interessante com a Alimentação Intuitiva durante a gestação. Elas também notaram alterações no apetite e nas preferências alimentares, e também foi possível fazer a relação entre os alimentos escolhidos em cada fase e as necessidades nutricionais de cada fase (veja o post anterior). E um dos posts me chamou muito a atenção, em que uma nutricionista americana comentava como o fato de conhecer seu próprio o corpo e interpretar os sinais deste lhe permitem ser proativos.

Ela comenta que quando ela descobriu que estava grávida e começou a observar e entender as suas novas necessidades, ela pôde, então, ser proativa para atender a elas. Por exemplo, ela começou a perceber que sentia fome com mais frequência, e assim pôde se alimentar também com mais frequência para não se sentir enjoada. Ela percebeu que sentia dor de cabeça quando não bebia água suficiente, e que agora ela sentia mais sede do que o normal, e, assim, pôde mudar sua ingestão de água para atender à nova necessidade.

Essa postagem dela fez muito, mas muito, sentido pra mim, pois tenho um histórico de não ser nenhum pouco ativa em relação às necessidades do meu corpo. Foram inúmeras as vezes que trabalhei em excesso, mesmo meu corpo mostrando que já era hora de parar. Foram várias as vezes que não percebi que estava com sono em determinado horário, porque afinal ainda não era hora de dormir. Também foram inúmeras as vezes em que não percebi que estava com fome e não me alimentei, pois não era ainda a hora de comer. Meu corpo era constantemente regido na rédea curta, e existiam regras às quais ele devia se adaptar. Escutar o corpo? Não era uma opção.

Quando passei a me alimentar intuitivamente, pude descobrir não só como e quando eu sentia fome, e assim quando e quanto eu devia me alimentar, como descobri um gritante número de necessidades não atendidas. Percebi que não dormia o suficiente simplesmente pelo fato de que eu acreditava que devia dormir de tal a tal hora. Percebi que não fazia xixi quando eu precisava, porque nem detectava essa necessidade estando totalmente concentrada em outra atividade. Percebi que meu corpo gritava por descanso, enquanto eu ainda achava que precisava realizar mais. E, no fim das contas, minha própria necessidade por doce e compulsões por chocolate eram em parte motivadas por uma necessidade profunda de sono, descanso e lazer. Meu corpo estava um mar de necessidades não atendidas.

Se formos olhar ao nosso redor, é possível perceber que vivemos em uma cultura que nos incentiva a olhar constantemente para fora, e raramente olhamos para dentro. Não é intrigante que uma cultura tão focada em corpo raramente promove o olhar realmente para este corpo? Vivemos sem atentar e sem atender ao que o corpo nos pede, e não temos assim a possibilidade de ser proativos em relação a essas necessidades. Não nos damos a chance de dar a ele o que ele precisa.

Gostei muito do termo que essa nutricionista americana usou: proatividade. É incrível sermos proativos em relação às necessidades dos nossos corpos. É incríve poder atender às necessidades do nosso organismo sem que ele precise entrar em estado de extremo cansaço, de extrema fome.. Agora na gestação, perceber novas necessidades, como, por exemplo, excesso de sono, situações que me provocam enjôo e momentos em que tenho dor de cabeça, me traz a oportunidade de ser proativa e agir para que as necessidades do meu corpo sejam aliviadas antes que ele precise mandar sintomas extremos. Entendo que preciso dormir nos momentos do sono, que preciso comer determinados alimentos para não ficar enjoada, que preciso fazer uma pausa no trabalho para não ter dor de cabeça. Mas só consigo ser proativa porque entendo e percebo o que meu corpo me pede e o que ele está gritando.

Com esta reflexão, lhe deixo essa questão: você tem sido proativo em relação às necessidades do seu corpo? Ou você só percebe suas necessidades quando elas já são extremas (extrema fome, extremo cansaço, extrema vontade de ir ao banheiro...).

Ser proativo em relação ao seu corpo, atendendo suas necessidades antes que seu corpo precise gritar é o que acredito ser importante também na alimentação, e é com esse objetivo que atuo na Nutrição também. Trabalho para que você reaprenda a perceber seus momentos de fome, a entender como você fica quando está saciado, a detectar quais alimentos seu corpo lhe pede a cada momento, e para que você possa ser proativo para atender essas necessidades antes que seu corpo precise gritar com força para ser ouvido.

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