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Alimentação Intuitiva na Gestação: minha experiência

16/2/2018

Estar gestando tem sido uma experiência muito enriquecedora para mim. Além de toda questão emocional vivida, as mudanças de planos, as reflexões sobre o futuro, uma coisa tem me chamado muito a atenção: a minha alimentação. Na verdade, esse foi um dos primeiros sinais que me levaram a suspeitar da gravidez: as alterações de apetite! E eis que essas alterações continuam acontecendo, e tenho conseguido ver um paralelo com as necessidades nutricionais da gestação!

 

 

 

Nas primeiras semanas de gestação, em que eu nem sabia dela ainda, lembro que tive umas vontades intensas de couve, alface, rúcula. Cheguei a sair de casa para ir no mercado para comprar apenas alface, o que é algo que eu confesso que não me via fazendo, pois alface nunca foi uma salada que me agradou tanto! Mas eu estava com muita saudade, e enfiava alface e rúcula em tudo! E eis que esses vegetais verdes, não só também fontes de ferro, que tem sua necessidade aumentada na gravidez, são fontes de ácido fólico, um nutriente extremamente necessário nos três primeiros meses da gravidez! Tão necessário que há uma legistação que preconiza a suplementação de ácido fólico nessa fase, iniciando até mesmo antes de engravidar. Eu ainda não sabia da gravidez, e por isso nem estava tomando a suplementação ainda, mas meu corpo já estava me avisando por meio da alimentação que era preciso de mais ácido fólico por aqui!

 

Entre a quarta e sexta semana de gestação, percebi que tive uma vontade maior de consumir iogurtes. Comia iogurte com granola, frutas e cereais diversas vezes no dia. Isso também poderia estar relacionado ao aumento da necessidade de cálcio, que também ocorre no início da gestação! Também foram semanas em que tive muito desejo pelo consumo de frutas variadas, que, como todos sabemos, 
são ricas em vitaminas e minerais.

 

Depois da sexta semana, a vontade de iogurtes e frutas diminuiu. Com o aumento de enjôos, comecei a sentir uma certa aversão por alimentos doces. Nesta semana, lembro que eu tinha preferência por alimentos bem secos, que melhoravam o enjôo. Então, passei os dias beliscando biscoitinhos salgados, amendoim, castanhas, nozes, e todos afins. Já nem me surpreendi quando notei que estava consumindo muitos alimentos fontes de ômega 3, um nutriente também necessário no início da gestação, na formação do sistema nervoso do bebê!

 

Na sétima semana, comecei a perceber que os meus enjôos partiam de uma fome aumentada, ou seja, que quando eu acabava ficando mais de 2h em jejum, eu enjoava! Percebi que, a partir de agora, eu precisava comer mais. E então veio aquela fome de leão (mesmo! meu marido até ri porque estou comendo mais que ele, que é bem fominha!), e uma grande preferência por aquele pratão enorme de refeição (vulgo prato de pedreiro!). Dá-lhe muito feijão com arroz (eita delícia!)! E uma mudança nítida é o aumento no valor do prato nos restaurantes a quilo! Eita fome!

 

Também comecei a ter uma diminuição na vontade do cafezinho (que eu consumia diariamente após o almoço, geralmente com um docinho!). Mas, para minha surpresa, sempre que eu ia pegar o cafezinho, percebia que eu não estava com um pingo de vontade. Ao pesquisar sobre as evidências científicas mais recentes sobre cafeína e gestação, entendi que a gravidez pede mesmo por uma redução de cafeína.

 

E, entrando na marca dos dois meses de gravidez, as últimas semanas tem sido de muitos cravings (desejos intensos) por alimentos molhados! Muita vontade de caldinhos de feijão, ervilha, lentilha (sim, caldinhos foram muitas jantas por aqui, e pra minha felicidade minha cidade tem rodízio de caldinhos <3), que são fontes de: ferro! Um nutriente que tem sua necessidade aumentada na gestação!

 

Sim, até agora foram apenas 9 semanas, mas de muitas mudanças interessantes a respeito da alimentação. Desde que comecei a estudar sobre alimentação intuitiva e aplicar isso em mim, desenvolvi o hábito de me auto observar em relação à alimentação (afinal, para eu saber o que, quando e quanto comer, preciso perguntar para mim mesma), então tem sido impressionante relatar tantas alterações!

 

Eu já havia lido alguns artigos demonstrando como as mulheres podem se manter se alimentando intuitivamente durante a gestação, e, inclusive, já tive a honra de acompanhar mulheres gestantes em meu consultório e presenciar suas alterações de apetite e de preferências alimentares a cada semana, as quais estavam também relacionadas com as necessidades nutricionais de cada fase da gestação. Mas vivenciar isto em mim está sendo algo extremamente poderoso! Se eu já me encantava com a sabedoria do corpo para guiar minha alimentação antes e assim me proporcionar saúde e paz (após sair de anos de transtorno alimentar e uma saúde desequilibrada); agora isso tem sido fenomenal! É incrível ver como o corpo feminino é incrível na sua capacidade de se modificar tanto para gerar uma vida, e como ele é maravilhoso em modificar nosso apetite e nossas preferências alimentares para ajustar às necessidades nutricionais cada fase da gestação.

 

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