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O terrorismo alimentar e a polêmica da Rita Lobo

Bom dia!

Gente, eu não gosto de entrar em polêmicas, e meu objetivo aqui não é polemizar, e sim puramente trazer informações positivas e verdadeiras sobre o nosso relacionamento com a comida.

Porém, achei válido compartilhar e colocar o meu parecer sobre toda a discussão que tem ocorrido acerca de alguns tweets da apresentadora Rita Lobo (você pode ler mais nesta reportagem), porque acho que traz uma reflexão bastante importante.

Eu havia compartilhado o seu primeiro tweet (acima), e percebi muitas reações, e bastante polêmica.

Primeiramente, houve pessoas que se sentiram ofendidas pois acreditaram que sua fala foi não empática (por exemplo, por estar desconsiderando pessoas com alergias e restrições alimentares), e também houve pessoas que acharam a fala bastante ignorante, pois dar tanto valor ao nome de uma preparação levaria a uma grande discussão semântica e até mesmo cultural sobre o que originalmente seria tal preparação...

E, bem, houve também as pessoas que se ofenderam porque vivem o nosso atual terrorismo alimentar... e acredito que foi a estas as pessoas que a fala da Rita Lobo foi direcionada.

Acredito que o ponto da Rita Lobo, assim como o meu ao compartilhar sua postagem, foi o de foi levantar a questão do medo que temos de comer as preparações que sempre gostamos por causa dos seus ingredientes.

Quero dizer, o quão temerosos, e ao mesmo tempo, obsessivos estamos com brigadeiro, que precisamos criar uma versão feita com outros alimentos para podermos comê-lo sem culpa? Por que, para podermos comer maionese sem culpa, precisamos recriá-la em uma versão sem óleo e sem ovo? A mesma coisa com o pão de queijo de batata doce, e com o sorvete de whey... e por aí vai.

Utilizar o nome "brigadeiro" ao invés de um nome real para a preparação é uma forma de eu "enganar" meu cérebro para poder comer um alimento que eu estou querendo muito (afinal me proibi de comer), mas sem a culpa que eu carrego por julgá-lo como proibido.

Por isso, a discussão toda da Rita não foi direcionada para as restrições de saude, vegetarianismo ou simplesmente porque ela se recusa a fazer mudanças na receita da maionese - a grande discussão é essa nossa atual necessidade de encontrar versões "fits" para podermos comer aqueles alimentos que gostamos sem culpa - e isso não é mais saudável, e indica sim uma disfunção no relacionamento com a comida.

Aproveito para colocar que tudo bem criar novas receitas com ingredientes diferenciados e chamá-las de um nome apropriado. Realmente, cortar a abobrinha em fios, cozinhá-la e comer com um molho gostoso, fica uma delícia. Mas se eu como esta preparação em uma necessidade de substituir o macarrão, porque o considero proibido mas ao mesmo tempo o desejo, é porque algo disfuncional está ocorrendo aqui...

E acredito que este foi o ponto da Rita Lobo: não contribuir para essa nossa relação atual disfuncional com a comida. Porque não há nada de ruim em comer a maionese, o macarrão ou o brigadeiro. Mas pode ser perigoso travar uma guerra com eles.

Se a Rita poderia ter se comunicado de uma maneira mais clara ou não (como alguns colocaram que ela foi bastante indelicada e grossa), acredito que não nos cabe julgar, pois a internet é um espaço de livre exposição, e, bom, o twitter e seus 140 caracteres permitidos talvez não tenham contribuido muito...

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