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4 dicas para lidar com os restaurantes estilo rodízio

Bom dia, pessoal! Nesta semana, eu tive uma experiência gastronômica bem diferente: um rodízio de praticamente tudo! Quero dizer, era uma fusão de sushi, queijos, carnes, saladas, petiscos e pizzas (dos sabores mais diferentes possíveis, ainda!). Foi algo bem diferente, podemos dizer assim. Mas muito gostoso!

E essa situação me fez lembrar de uma questão que escuto muito dentro do consultório: como lidar com os restaurantes estilo rodízio livre?

Restaurantes no estilo rodízio são locais muito comuns em nossas vidas sociais. Não é raro recebermos convites de amigos ou familiares para comemorarmos alguns eventos em rodízios de pizza, de sushi... certo?

Porém, estes convites muitas vezes têm sido recebidos com apreensão e medo. Temos medo de comer muito.

E de fato, alguns fatores têm transformado a experiência do rodízio em algo que termina com mal estar, suador, sensação de estar muito cheio e ânsia de vômito. E, na verdade, não precisa ser assim. Mas vamos entender um pouco mais nas 4 dicas a seguir.

1) Busque entender o porquê. Por que comemos tanto quando vamos em rodízios? Sabemos que abundância de comida é um fator que contribui para isso, mas precisamos parar para pensar sobre o que se passa em nossa cabeça nessas situações.

É preciso ter em mente que todos nossos comportamentos são ligados às crenças que temos. Isto é, conforme o teor do meu pensamento, eu ajo de certa forma. Ter este entendimento nos faz ter muita percepção sobre a forma que nos comportamos perto da comida, e também perante a vida.

No caso dos rodízios, temos muitas crenças por base que fazem com que comamos muito. As mais comuns são:

--> Fator financeiro: “Preciso fazer valer a pena”; “Preciso dar um prejuízo neste lugar”. Ao termos este pensamento, naturalmente vamos comer muito – e também de forma muito rápida, que é para comermos ainda mais.

--> Mentalidade de dieta: “É só hoje”; "Amanhã eu compenso"; "Amanhã eu e cuido". Quando vivemos constantemente sob a mentalidade da dieta, isto é, nos alimentando conforme um conjunto de regras que ditam o que podemos e não podemos comer, e o quando e o quando poderemos comer, ao nos depararmos com a situação diferenciada de um rodízio, já ativamos o famoso pensamento “só hoje”: ou seja, só hoje sairei da dieta; só hoje comerei dessa forma, pois amanhã compensarei. Este pensamento reflete a uma permissão temporária. Isto é, “só hoje” poderei fazer isto. E se eu só posso fazer isso hoje, então é natural que passemos a comer muito nesta oportunidade, não é mesmo?...

E esses pensamentos todos que vêm, às vezes inconscientemente, em nossa mente fazem com que comamos muito nessas situações diferenciadas, e saiamos do restaurante com uma sensação de não estarmos muito bem...

2) Quebre essas crenças desconstruindo a mentalidade da dieta. Nós começamos a quebrar algumas dessas crenças quando entramos em um processo de fazer as pazes com a comida. Começamos a desconstruir a mentalidade da dieta e a trabalhar o famoso pensamento "só hoje", e isso se dá por meio da permissão incondicional de comer. Isto é, passamos a entender que sempre podemos comer: na quantidade que desejarmos (nossa saciedade nos mostra isso), na hora que desejarmos (nossa fome nos mostra isso) e o que desejarmos (sim, nosso corpo também mostra isso!). E essa permissão incondicional de comer nos faz agir de uma forma completamente diferente perante a comida: comemos o suficiente, com muito prazer e muita tranquilidade, sem medo, sem culpa e sem sofrimento! Veja um pouco mais no vídeo abaixo:

3) Repense a questão da saciedade. Mesmo depois de fazermos as pazes com a comida e desconstruirmos o pensamento "só hoje", uma questão que sempre persiste ainda é relacionada a como lidar com momentos de abundância de comida. Preciso parar de comer quando estou saciada quando vou em um rodízio?

Primeiramente, passar da nossa saciedade também é considerado normal. O guia coma-quando-tem-fome-e-pare-quando-está-saciado não é uma regra fixa! Diferentemente de uma dieta, o comer normalmente é muito flexível e haverá dia em que comeremos mais e dias em que comeremos menos – e isso de uma forma natural. Assim, não há a necessidade de sentirmos culpa quando passamos da nossa saciedade. Por isso, em um rodízio, se for opção sua, você pode sim optar por passar da sua saciedade.

Mas um outro ponto que sempre gosto de refletir em relação à saciedade é sobre como é prazeroso pararmos de comer quando sentimos que não precisamos comer mais. Não é uma questão de controle: você simplesmente sente que não precisa mais comer.

O controle interno não tem caráter de regra. É algo natural. Da mesma maneira em que vamos ao banheiro e paramos de fazer xixi naturalmente, sem termos que controlar a quantidade que fizemos ou pensar "preciso parar de fazer xixi porque meu corpo não quer mais", o parar de comer é natural! Simplesmente sentimos que não precisamos mais comer.

Em segundo, quando ficamos saciados, a comida deixa de ser gostosa. Sempre gosto de perguntar: o vigésimo pedaço de pizza tem o mesmo gosto que o primeiro? Pois é, a comida vai deixando de ficar saborosa.

4) Repense a questão do aproveitar. Acredito que neste sentido, vale a pena refletirmos sobre o que significa aquele pensamento sobre aproveitar. Nossa noção cultural é que aproveitar é comer muito, certo? "Ah, hoje vou aproveitar!" Precisamos aproveitar e fazer valer a pena. Mas será mesmo mesmo que aproveitar é comer até se sentir mal, comendo já sem sentir o gosto e sem estar feliz com aquilo? Ou será que aproveitar poderia ser comer saboreando, curtindo, e até sentir que foi o suficiente?

Assim, encerro esse texto compartilhando com vocês como foi minha experiência naquele rodízio "maluco": Foi um momento bastante feliz, repleto de amigos. Estava muito feliz também por comer vários alimentos tão saborosos. E então, como foi?: comi cada alimento com muito prazer e calma, saboreei, até passei um pouco da minha saciedade, mas chegou um momento que simplesmente senti meu corpo dizendo "não quero mais; a partir de agora se eu comer mais, a comida vai começar a ficar ruim e eu vou começar a me sentir mal: e isso não é aproveitar o momento, pelo contrário" :)

Fica, então, essa reflexão pra vocês!

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